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Governo eleito convida e depois desconvida Cuba e Venezuela para posse presidencial
Terça-feira, 18 de dezembro de 2018
 
 

Em mais uma sequência de idas e vindas, o governo eleito convidou e depois desconvidou os governos de Cuba e Venezuela para a posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, em uma disputa interna que levou ao afastamento do chefe de cerimonial da transição, embaixador Paulo Uchôa.

No último domingo, o futuro chanceler, embaixador Ernesto Araújo, informou em sua conta no Twitter que o Brasil não convidaria a Venezuela para a posse —o que foi confirmado logo em seguida pelo próprio Bolsonaro, ao falar rapidamente com a imprensa no Rio de Janeiro.

“Ele (Maduro) com certeza não vai receber (o convite). Nem ele, nem o ditador que substituiu Fidel Castro... Fidel Castro, não, Raúl Castro”, referindo-se a Miguel Díaz-Canel, atual presidente cubano.

Na verdade, Maduro e Díaz-Canel chegaram a ser convidados, como confirmou o próprio Ministério das Relações Exteriores, em nota.

“Sobre os convites, inicialmente, o Itamaraty recebeu do governo eleito a recomendação de que todos os chefes de Estado e de Governo dos países com os quais mantemos relações diplomáticas deveriam ser convidados e assim foi providenciado. Em um segundo momento, foi recebida a recomendação de que Cuba e Venezuela não deveriam mais constar da lista, o que exigiu uma nova comunicação a esses dois governos”, informou o Itamaraty.

Nesta segunda-feira, a chancelaria venezuelana publicou em sua conta no Twitter uma cópia da nota verbal em que o governo foi convidado para a posse e a resposta em que nega o convite.

“A esse respeito, se informa ao Ministério das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil que o governo socialista, revolucionário e livre da Venezuela não assistiria jamais a posse de um presidente que é a expressão da intolerância, do fascismo e da entrega a interesses contrários à integração latino-americana e caribenha”, diz a nota venezuelana encaminhada ao Itamaraty.

O governo cubano ignorou a polêmica.

De acordo com informações obtidas pela Reuters, o presidente eleito, depois de conversa com Ernesto Araújo, havia decidido não convidar os dois países, a quem tem criticado desde a campanha. A posição de Bolsonaro teria mudado, de acordo com fontes, depois de uma reunião sobre o cerimonial de posse em que Uchôa teria recomendado que todos os países com quem o Brasil tem relações diplomáticas fossem convidados, como é de praxe, porque dificilmente Cuba e Venezuela aceitariam.

O presidente eleito questionou, então, o que fazer se por acaso Nicolás Maduro ou Díaz-Canel resolvessem aparecer, mesmo contra todas as evidências. O embaixador sugeriu então que Bolsonaro, na hora dos cumprimentos, lembrasse as dificuldades de relacionamento entre os dois países pelo não cumprimento de normas internacionais de democracia e direitos humanos. Bolsonaro teria gostado do “tapa com luva de pelica”.

A posição do presidente teria mudado, no entanto, depois de mais uma conversa com Araújo. Uchôa foi afastado do cargo e chegou-se a dizer que isso teria acontecido porque o embaixador teria curtido publicações em redes sociais, na época da campanha, contra Bolsonaro.

A Reuters tentou falar com o futuro chanceler por duas vezes nesta segunda, no Centro Cultural Banco do Brasil, onde se reúne a equipe de transição, mas Araújo não quis responder qualquer pergunta.

Um novo embaixador, experiente na organização de posses presidenciais, foi chamado do exterior para terminar a organização.

Fonte: Reuters

 
 
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