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Tem que agradar os vereadores′, diz ex-presidente do IPPUL para dono de terreno que queria liberação de loteamento em Londrina
Terça-feira, 30 de janeiro de 2018
 
 

Ignês Dequech, ex-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), no norte do Paraná, foi gravada dizendo que a mudança de zoneamento pretendida pelo dono de um terreno só sairia do papel com o pagamento de propina.

“Tem que agradar os vereadores”, disse Dequech em um trecho da conversa, gravada em outubro de 2017 com autorização da Justiça.

Ela está entre os 11 alvos da Operação Zona Residencial 3 (ZR3), que apura um esquema de pagamento de propina – envolvendo vereadores, servidores municipais, ex-secretários e empresários – para aprovar a liberação de loteamentos.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), a ex-presidente do IPPUL procurou o dono do imóvel e marcou uma reunião no escritório dela.

Ela faz uma proposta para o pagamento de R$ 130 mil mais 15 terrenos no futuro loteamento, para a realização do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), exigido para a mudança de zoneamento urbano. O valor ultrapassa R$ 3,3 milhões.

É o dobro do que foi pedido por Luiz Guilherme Alho, membro do Conselho Municipal da Cidade (CMC), indicado pelo vereador Rony Alves (PTB) para fazer o EIV e que fez uma proposta de R$ 1,6 milhão pelo serviço

O proprietário do terreno tinha recebido uma proposta de uma terceira empresa, que cobraria, no máximo, R$ 28 mil pelo EIV.

Veja um trecho da conversa de Ignes Dequech com o dono do terreno:

Ignes Dequech: Porque na área ambiental, eles sabem fazer. Agora a parte política, entendeu? Eles não fazem. E o Luiz Guilherme é justamente ao contrário, entendeu? Por que que ele cobra caro? Porque ele tem que agradar os vereadores, ele tem que agradar um monte de gente, porque ele, entendeu? Ele é político.

Proprietário terreno: Esse agradar é dar dinheiro?

Ignes Dequech: Pode ser!

Proprietário terreno: Ou terreno dentro do condomínio, que foi o que ele me cobrou.

Ignes Dequech: Que é uma forma de cobrar.

Para o MP-PR, a investigada buscou mostrar ao dono do imóvel que o orçamento de Luiz Guilherme poderia ser superado.

“Com o claro intuito de forçá-lo a contratar LUIZ GUILHERME. Tal conclusão ficou evidenciada diante de todos os elogios dispendidos a LUIZ GUILHERME durante a conversa que mantiveram”, diz o documento da promotoria.

A investigação

O dono do terreno tinha recebido uma proposta do vereador Mário Takahashi (PV), em 2013, para mudança do zoneamento urbano. O parlamentar tinha pedido o pagamento de R$ 1 milhão para aprovar as alterações de uma área na zona leste de Londrina.

O proprietário não aceitou e, no ano seguinte, apresentou por conta própria um pedido na Câmara, que acabou arquivado.

Em 2017, ele voltou à Câmara de Vereadores para tentar, mais uma vez, a mudança de zoneamento de industrial para residencial, depois que viu propriedades vizinhas a dele transformadas em loteamento.

Mas, dessa vez, as conversas foram gravadas com autorização da Justiça.

O homem constatou que o suposto esquema de compra de mudanças de zoneamento tinha ficado mais sofisticado. A propina, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), era cobrada junto com o valor do EIV.

Um EIV normal, para o caso do empresário custaria até R$ 28 mil. Mas, no esquema da suposta organização criminosa, ele poderia variar de R$ 1,6 milhão a R$ 3,3 milhões.

A primeira conversa monitorada é com o vereador Rony Alves (PTB) e seu chefe de gabinete, Evandir Duarte de Aquino, a quem o dono do imóvel procurou pedindo a mudança de zoneamento.

Em uma das conversas o vereador diz a ele que fazer a mudança não é fácil, mas apresenta a ele o que seria um caminho seguro para conseguir a aprovação. Esse caminho seria a contratação de Luiz Guilherme Alho e Cleuber Moraes, ambos membros do CMC.

Veja abaixo um trecho da conversa com o vereador Rony Alves:

Vereador Rony Alves (PTB): Nós, aqui, a gente gosta de trabalhar com um cara chamado Cleuber, porque o Cleuber é o cara mais honesto que a gente conhece. Pense num cara sério. Só que o Cleuber precisa trabalhar possivelmente com um cara chamado Luiz Guilherme Alho. Um cara extremamente competente e que tem entrado em tudo quanto é lugar na prefeitura. Eles, eles conseguem aprovar isso aí junto. Porque é o seguinte: eu vou fazer o projeto de lei, eu vou defender pra aprovar aqui entre os vereadores, mas nós vamos precisar dos pareceres de todos os órgãos do município pra darem.

Luiz Guilherme foi apresentado por Rony ao dono do imóvel numa reunião no gabinete do vereador. Foi a primeira de várias conversas.

Em 16 de maio, Luiz Guilherme Alho é fotografado por um policial do Gaeco durante uma reunião com Rony Alves e Mário Takahashi – os dois afastados da Câmara de Vereadores após a deflagração da Operação ZR3.

No mesmo dia, Luiz Guilherme fez sua proposta para aprovar a mudança de zoneamento. Ele pede R$ 100 mil em dinheiro e sete terrenos no futuro loteamento. A mensagem ficou registrada no aplicativo de celular do proprietário do imóvel.

 
 
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